Voltei de Maringá no último final de semana com um texto todo montadinho na minha cabeça. Ele era especialmente para uma amiga, mas resolvi dar uma mudada porque imagino que ela fosse ficar um pouco brava em me ver babando ovo aqui.
Mas, bem, vamos lá às coisas que esta cabecinha aqui tem pensado. Depois daquilo tudo que eu falei há um tempo, daquelas provas de fogo que passei, dei uma recuada em quase tudo: resolvi ficar menos tempo no computador, me dedicar mais a leituras, filmes e alcançar a sétima temporada de The Office. Resolvi também voltar a me alimentar um pouquinho melhor e sair para dar umas voltas a pé pela minha vizinhança. Tenho cumprido isso com alguma disciplina. E em meio a essas decisões, comecei a observar as pessoas que tenho a minha volta e sempre que as percebo, não consigo ficar sem sorrir.
Minha vida, desde que virei gente, foi baseada nessas amizades que eu construí. E é uma felicidade muito grande quando penso que tenho amigos que fiz há mais de dez anos e que até hoje me recebem com um abraço muito apertado, cerveja na geladeira e conversas que vazam a noite. Minha mãe sempre diz que a gente precisa ficar com o pé atrás com esse pessoal que não tem relações de longa data e essa é uma das coisas mais espertas que ela já me ensinou. Quando resolvi dar corda para pessoas que tão sempre pulando de turma em turma, só me ferrei.
Desde que vim para Curitiba, essa hall de pessoas fantásticas só aumentou. Primeiro aquelas pessoas que já tinha algum contato, como Cassinha, que me apresentou mais um bando de gente boa. E aí veio a faculdade, aquela turma linda que até hoje conversa por uma lista de emails chamada estagiários de todo mundo.
E aí chegamos neste momento e enrolei até agora porque me dá uma dorzinha tão grande começar a pensar nele. Meus últimos seis ou sete meses contaram com presença quase diária dessa menina Liz, que resolveu assumir que já estava mesmo morando no quarto vazio da casa do Pedro e do Igor depois de meses dizendo que “é só pro final de semana”.
A Liz tem esse jeito de falar bem engraçado. Primeiro são as palavras que são diferentes lá em Minas Gerais (merendeira, oi?), depois que ela costuma trocar mesmo a palavra que ia dizer e espera que a gente entenda. E é incrível, mas já rola uma comunicação sem “QUE QUE VOCÊ TÁ FALANDO?!”, sabe.
A Liz também me ensinou que chiclete deve ser jogado no asfalto, fez toda uma explicação científica que claro que eu não lembro, só guardei a parte prática da coisa. A menina também me levou pro lado negro da força da vodka com energético e me mostrou que nem é tão chato assim viver num mundo de hipóteses.
No domingo à noite me despedi de Liz, que foi embora pra Belo Horizonte e em março se muda para Austrália. Uma pira preta, com direito a mergulho naquelas praias horrorosas, mestrado e uns trabalhinhos desses de brasileiro no exterior. Por quanto tempo nem ela sabe dizer, mas a previsão é algo em torno de três anos.
Já me despedi de muita gente na minha vida. Mas nunca, nunquinha, me perguntei o que acontece de agora em diante, porque pela primeira vez sou eu quem fico para outra pessoa ir pra lá, tentar outras coisas, ver outro mundo. Acho que era hora de passar por isso, de sentir essa angústia tão chata que acompanha um desejo enorme de que tudo dê certo por lá.
Então é isso, Liz querida. Digo aqui, com o coração na garganta, que só te quero o bem. Se o que rolar em 2012 for realmente uma mudança espiritual em toda a humanidade que vai buscar só fazer o bem dali pra frente (olha como você é bonita!) e não o fim do mundo, eu juro que lá estaremos nós na Austrália, tomando espumante sem chacoalhar antes de estourar porque isso é coisa de pobre.

te esmago com meus bracinhos